terça-feira, 4 de janeiro de 2011


- I've been missing you, it's true.


- Cruel, doloroso...
As duas palavras pareceram o suficiente. Um silêncio asfixiante reinou por poucos segundos até que o suspiro da garota emergiu para corta-lo. Amparado em seu joelho, o rapaz não tirou seus olhos do chão. A angústia que sentiu era um fardo árduo, e já não tinha força para suportá-lo. Incontáveis desculpas apareceram e desparaceram em sua cabeça, mas nenhuma delas pareceu boa o suficiente para explicar as lágrimas que já escorriam por seu rosto sem meios de evitá-las, foi como mergulhar em um pesadelo. Era como se a garota sentada ao seu lado
lhe tivesse golpeado até tirar toda a alegria de seu mundo. Tudo ficou cinza, desolado. A aflição que sentia ganhava força enquanto o choro insistia em cair até as folhas de espruce espalhadas pelos caminhos desenhados no parque. No dia em que se apaixonou, se tornou um refém da garota, encarcerado em suas afeições. Ela seria a causa, a razão, e a origem de sua existência. Arquitetou momentos, ocasiões, casamento, filhos, netos, bisnetos, até a noticia de que tudo estava acabado. No final da tarde, se jogou da janela de seu apartamento, oitavo andar. Um desfecho a altura de uma fábula singular.

O verdadeiro amor não precisa de dinheiro, domínios, tampouco sujeição. Todos esses fatores são obscurecidos quando se trata do que efetivamente um indivíduo sente. Amar talvez seja apenas uma vontade insaciável, uma necessidade. Talvez seja colocar nas mãos daquela pessoa todas as esperanças de encontrar o melhor caminho para o paraíso, que nada mais é do que o lugar onde voce possa ser feliz com a única pessoa que pode de fato te proporcionar a felicidade. Talvez o caminho pra se chegar ao objetivo seja espinhoso, insano, mas nada que te impeça de levantar vôo, ou de descomunalmente enfrentar os problemas, com uma força que não é unicamente sua, e sim de ambos os lados, pois o amor, bem, o amor não tem limites.


When life leaves us blind
Love keeps us kind


Linkin Park

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011


- These are dark times, there's no denying.

Blasfémia, indecoroso! - Vociferou o homem, da sacada de sua casa, gélido, volveu-se à um grupo de pessoas que ali transpunham-se, pouco depois de ver uma das cenas mais lastimáveis dos seus 55 anos. Um movimento covarde, sem sentido. A verdade era que os humanos que conheceu há meio século pouco se pareciam com os animais que ali estavam. O ano anterior havia terminado com perdas, e com luto o novo ano começaria. Cercado por anjos de mármore, pode presenciar a execução de mais um que eles julgavam crédulo. O fato é que com a ciência empenhando-se para contradizer as divindades, muitos indivíduos se perderam no caminho... aqueles que insistiam em acreditar em um "ser maior" seriam executados sem piedade. O mundo estava em colapso.

O garoto despertou com um som abafado. Pávido, se reconheceu 40 anos antes do ocorrido, logo concluiu que toda aquela cena angustiante não passasse de um sonho. Por impulso, colocou as duas mãos sobre o rosto, parecendo limpar alguma impureza, para depois abrir os olhos e se deparar com uma escuridão exorbitante, afinal, o relógio já excedia as 04:00. Levantou-se, mas continuou sentado à beira da cama. Sentiu como se estivesse embriagado por aqueles sonhos que algumas vezes pareciam delírios, alucinações, e em outras vezes pareciam visões. Quase automaticamente, se levantou, deu alguns passos à frente, e parado em frente a televisão de pé, ligou a aparelho. Se deparou com manchetes de um canal de notícia enfatizando assassinatos, roubos, sequestros, grupos criminosos, frieza, insensatez... Nada que não fizesse parte do seu, ou do cotidiano de qualquer outra pessoa que habitasse o mesmo planeta que ele. Por alguns instantes, desligou-se do que o jornalista falava, e quando voltou a si, ouviu outra noticia que nem de longe seria uma novidade. Um governante corrupto aproveitava o Carnaval na maravilhosa cidade de São Paulo, enquanto
a alguns metros do desfile carnavalesco, mulheres se vendiam para afiançar o pão de cada dia. Então, o âncora do telejornal convoca um especialista - em algum setor publico que aquela hora da madrugada pareceu irreconhecível - para anunciar o que se tornou óbvio : Uma sociedade inteira chorará, pelo que a minoria está fazendo. Desligou a televisão, e lançou-se em sua cama, fechou seus olhos, concluindo para si próprio. - Os seres irracionais que vi em meu sonho... Talvez não sejam tão diferentes dos que vi agora. Porventura, seria o caos o futuro do planeta...


Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world

John Lennon